sábado, 16 de fevereiro de 2008

Documento aponta que Jango era vigiado no exílio



Sábado, 16 de Fevereiro de 2008 | 07:03Hs

Redação

Documentos da polícia e do Exército uruguaio comprovam que o presidente João Goulart era vigiado no país vizinho durante o exílio. Segundo documento do Departamento de Inteligência do Exército, ao qual o jornal Folha de S. Paulo teve acesso, Jango aparece em uma lista com outros seis brasileiros, por ser considerado subversivo.
Após mencionar os nomes, consta no documento uma ordem escrita para que "se tenha conhecimento das atividades das pessoas mencionadas", sem mencionar a quem a determinação foi dada. O documento também relata uma reunião entre o presidente brasileiro, o então senador do Uruguai Zelmar Michelini e o ex-presidente da Bolívia Juan José Torres. Os três políticos teriam se reunido para conversar sobre asilados brasileiros, uruguaios e bolivianos que estavam em Buenos Aires.

Em outro documento, com data de 22 de fevereiro de 1974, do Departamento Nacional de Informação e Inteligência da polícia do Uruguai, uma relação de nomes de brasileiros vigiados, listando dados como telefones, número de documentos e atuação política.

Também apareciam na lista Dagoberto Rodrigues, que era amigo de Jango; o jornalista Edmundo Moniz de Aragão; Ivo de Magalhães; João Alonso Mintegui, adido comercial da Embaixada dôo Brasil no Uruguai durante o governo Jango; a jornalista Neiva Moreira; e o advogado e jornalista Carlos Olavo da Cunha Pereira.

Os documentos foram obtidos pelo Movimento de Justiça e Direitos Humanos do Brasil no ano passado, no Uruguai. Segundo o presidente da entidade, Jair Krischke, os dados obtidos no Uruguai reforçam as suspeitas de que havia interesse dos governos de ambos países em matar Jango.

Redação Terra

sábado, 2 de fevereiro de 2008

No silêncio da noite (Sebastião Nery)


RECIFE - De repente, no silêncio da noite, como na canção de Peninha cantada por Caetano, voando sobre o Atlântico, já próximo de Pernambuco, ele acordou com a voz do comandante, falando em espanhol:
- Atenção, por favor, senhores passageiros. Os fortes ventos que estamos enfrentando nos obrigam a fazer uma escala técnica em Recife, para recarregar o combustível. A demora no aeroporto será de aproximadamente 45 minutos. Obrigado.

Ele percebe o perigo e diz ao jornalista uruguaio Jorge
Otero, seu companheiro de viagem e vizinho de poltrona:
- Estou proibido de entrar em território brasileiro. Comprei esta passagem da Aerolineas Argentinas com o compromisso de não fazer uma só escala. Então, que o avião retorne à Europa.

E foram os dois à cabine falar com o comandante. Um comisssário de bordo tentou impedir. Mas, afinal, o comandante saiu e o ouviu:
- Sou o ex-presidente João Goulart, do Brasil. Estou como asilado na Argentina. (Era no Uruguai, mas vivia mais na Argentina.) Se o avião descer no Brasil, serei preso. O senhor deve devolver-me à Europa ou levar-me aonde quiser, a qualquer lugar, menos no Brasil.

Jango

O comandante estava "rígido e surpreso, com burocrática energia":
- É impossível atendê-lo. Os ventos frontais foram muito superiores aos previstos e por isso gastamos muito mais gasolina do que habitualmente. Quando o senhor comprou a passagem, tinha que saber das escalas assinaladas para uma emergência. Recife é o aeroporto mais perto.
- Mas, comandante, ninguém me avisou nada. Serei retirado do avião e preso. E o senhor será o responsável.
- Senhor, não entrará ninguém no avião. A esta hora só está acordado o responsável pela torre de controle, que vai chamar o pessoal do abastecimento. Não há ninguém no aeroporto.
- Desculpe, comandante. Mas meu nome está na lista de passageiros, que o senhor deverá entregar. Será só questão de minutos que venham do quartel e me levem preso. Contra mim, foi decretada uma ordem de prisão pela ditadura brasileira. Não posso entrar no Brasil, porque serei preso.
- Senhor, este é um avião argentino, sob meu comando. Não permitirei a ninguém que leve nenhum dos passageiros sob minha responsabilidade. Estamos em território argentino.
- Comandante, esta é uma aeronave civil. O senhor não vai poder fazer nada quando um punhado de soldados entrar aqui.

A responsabilidade por isso, que surpreenderá o mundo, será exclusivamente do senhor.
- Vou ver o que posso fazer, mas não alimentem muitas esperanças.

Recife, não

E voltou para a cabine. Jango e seu amigo, para os lugares deles. O jornalista uruguaio tentou aliviar a tensão de Jango:
- Presidente, o senhor me disse que em Madri comprou a passagem em nome de Belchior Marques. Talvez não se dêem conta de quem é.
- É possível, Jorge. Mas o chefe da guarnição militar de Recife foi promovido por mim. Tem que saber quem é o passageiro Belchior Marques

O tempo vai passando e nada. De repente, a voz do comandante:
- Atenção, por favor. Aqui fala o comandante. Quero informar que os cálculos do combustível que resta e a sensível melhora nos ventos tornam desnecessário descer em Recife. O vôo será sem escalas até Buenos Aires.

Jango, afinal, voltou a dormir. Era 12 de outubro de 76.

Juscelino

Esta história está no livro "João Goulart, recuerdos em su exílio uruguaio" (Ediciones la Plaza), de Jorge Otero, veterano jornalista de Montevidéu, ex-diretor do "El Dia". Encontraram-se em Paris e embarcado nas Aerolineas Argentinas direto para Buenos Aires.

Jango, proibido de entrar no Brasil e sem passaporte brasileiro, que a ditadura lhe tomara, viajava com passaporte do Paraguai. Hospedado no Hotel Claridge (Champs Élysées, 72), onde dias antes o encontrei, estava assustado com as macabras notícias da "Operação Condor" no Cone Sul (as ditaduras chilena, brasileira, argentina e uruguaia haviam planejado matar seus principais adversários) e sobretudo com o assassinato do general boliviano Juan José Torres, em Buenos Aires, e a misteriosa morte de Juscelino dois meses antes: 22 de agosto de 76.

Decidiu arrumar seus negócios no Uruguai e Argentina e voltar para morar em Paris e ficar mais perto dos filhos, que estudavam em Londres.

Geisel

Menos de dois meses depois, em 6 de dezembro de 76, Jango apareceu morto em sua fazenda em Mercedes, na Argentina. No fim do ano passado, o uruguaio Mario Neira Barreiro, ex-agente do serviço secreto da ditadura uruguaia, preso por assalto no Rio Grande do Sul, revelou a João Vicente, filho de Jango, e agora a Simone Iglesias, da "Folha", que "durante quatro anos espionou Jango e ele morreu envenenado, por autorização do ex-presidente Geisel ao delegado Sergio Fleury, numa operação financiada pela CIA, com cápsulas envenenadas misturadas a remédios que tomava".

O corpo foi trazido para São Borja sob as ordens de militares brasileiros, com o caixão lacrado e impedido qualquer tipo de autópsia.


http://www.tribunadaimprensa.com.br/anteriores/ontem/coluna.asp?coluna=nery

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

PF interroga ex-agente sobre morte de Jango e envia cópia a ministro da Justiça (Tribuna da Imprensa)

30/01/2008 - 20h40

da Agência Folha, em Porto Alegre

A Polícia Federal interrogou hoje na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (RS) o ex-agente do serviço de inteligência uruguaio Mario Neira Barreiro, 54, sobre sua participação em eventual assassinato do presidente João Goulart (1918-1976).

Barreiro --que cumpre pena por tráfico de armas, falsidade ideológica e roubo a carro-forte-- depôs por cerca de quatro horas e foi interrogado pelo delegado Mauro Vinícius Soares.

A superintendência da PF do Rio Grande do Sul não deu detalhes sobre o interrogatório. Apenas informou que o depoimento ocorreu a pedido do Ministério da Justiça e que o conteúdo será encaminhado ao ministro Tarso Genro.

O superintendente da PF gaúcha, delegado Ildo Gasparetto, disse que encaminhou uma cópia ao diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa. "Não podemos dar detalhes porque este assunto depende de uma diretriz nacional", afirmou o delegado.

À Folha, em entrevista publicada no domingo, o ex-agente disse ter participado de uma operação que tinha por objetivo, inicialmente, monitorar Jango no exílio e, depois, por ordem do governo brasileiro e com financiamento da CIA (agência de inteligência americana), matar o presidente.

Leia mais



http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u368380.shtml

domingo, 20 de janeiro de 2008

Revista "Isto É" revela: Jango teria sido assassinado

Jango foi envenenado PDF Imprimir E-mail
ImageDepoimento de agente uruguaio leva familiares do ex-presidente a pedir investigação sobre sua morte. O assunto é destaque na edição atual da revista IstoÉ.

Confira a matéria:

Madrugada do dia 6 de dezembro de 1976. Fazenda La Villa, município de Mercedes, na Argentina. Maria Teresa Goulart acorda o motorista do expresidente João Goulart, Roberto Ulrich, conhecido por Peruano. "O doutor Jango está passando mal", grita ela. Em busca de ajuda, Peruano corre até a cidade mais próxima, 14 quilômetros distante. Volta com o pediatra Ricardo Rafael Ferrari. O médico examina o expresidente, vira-se para Teresa e informa: "O seu marido está morto." No atestado de óbito, coloca como causa mortis apenas uma lacônica palavra: "Enfermedad" (doença, em espanhol).

A ação das autoridades argentinas e brasileiras nos dias seguintes jamais permitiu que tal diagnóstico pudesse ser aprofundado. Foi proibida a autópsia do corpo do ex-presidente. Essas circunstâncias fizeram com que a família e alguns amigos de João Goulart sempre desconfiassem que sua morte talvez não tivesse uma causa natural. Trinta e dois anos depois, o depoimento de Mario Neira Barreiro, um uruguaio que era agente do Grupo Gama, o serviço de inteligência daquele país, reacende a hipótese de um possível assassinato de Jango. Barreiro está preso no Rio Grande do Sul por roubo, formação de quadrilha e posse ilegal de armas. Com base nesse depoimento, os filhos de Jango, João Vicente Goulart e Denize Goulart, ingressaram no Ministério Público com um pedido de abertura de inquérito civil para que as circunstâncias da morte do ex-presidente voltem a ser investigadas.
AG. ISTOÉ
ESPIÕES
Foto de uma festa na casa de Jango, em 74 (à esq.), tirada pelo SNI, que identificou os presentes. Acima, Jango no comício da Central, em 64

O que Barreiro conta é digno de um filme de espionagem. Segundo ele, Jango teria sido envenenado com um tipo de cloreto desidratado transformado em comprimido e colocado em meio aos medicamentos que ele tomava para o coração. Esse veneno acelera o fluxo sangüíneo, provocando hipertensão. Horas depois da ingestão, leva a um derrame ou a um infarto. Durante 48 horas, vestígios ficam no organismo. E por isso houve a proibição de autópsia. Os remédios eram enviados para o Hotel Liberty, em Buenos Aires, onde Jango ficava quando estava na capital argentina. Ali é que o veneno teria sido colocado num dos frascos por um agente infiltrado no hotel.

No ano passado, João Vicente Goulart esteve com Barreiro, acompanhando uma equipe da TV Senado que produzia um documentário sobre Jango, ainda não concluído. Na entrevista, João Vicente identificou-se e o ex-agente uruguaio, impressionado com a sua presença, começou a falar. A história que ele conta parece mirabolante demais - não fosse por outros elementos já comprovados que reforçam a impressão de que seu depoimento não deve ser simplesmente desconsiderado.

Primeiro, está comprovado que as ditaduras da América do Sul naquela época colaboraram entre si para a produção de documentos conjuntos e para a prisão e extradição de presos políticos. Segundo, é fato também que naquela mesma época políticos de esquerda que foram depostos de seus cargos começaram a ser eliminados. E o terceiro elemento é que algumas dessas mortes parecem filmes de 007. O general Carlos Prats, comandante-em-chefe do Exército do Chile no governo Salvador Allende, foi morto num atentado a bomba em Buenos Aires em 1974. O exministro do Interior e da Defesa do Chile Orlando Letelier teve morte semelhante em Washington, em 1976. E o ex-presidente chileno Eduardo Frei Montalva morreu em 1982 por envenenamento com gás mostarda.

Em 2000, uma comissão especial da Câmara investigou as circunstâncias da morte de João Goulart. "Não há como afirmar, peremptoriamente, que Jango foi assassinado", escreveu à época o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), relator da comissão. "Mas será profundamente irresponsável, diante dos depoimentos e fatos aqui consolidados, concluir pela normalidade das circunstâncias em que João ROBERTO JAYME/PHOTONEWSGoulart morreu." Diante do fato novo, Miro acha que o depoimento de Barreiro deve ser investigado: "Ele só apresentou um conjunto de palavras, mas que, somado aos demais fatos já sabidos, não deve ser desconsiderado. O princípio da investigação é a dúvida. E dúvida é o que não falta."

"O AGENTE BARREIRO PODE SER UM DOS ÚLTIMOS ELOS VIVOS DESSAS AÇÕES"
João Vicente Goulart, filho de Jango

O que impressionou João Vicente Goulart foram alguns detalhes da narrativa de Barreiro. Ele sabia, por exemplo, o número do telefone da fazenda de Jango. E documentos que foram repassados ao filho do ex-presidente demonstram que havia agentes infiltrados na fazenda e que Jango era monitorado 24 horas por dia. ISTOÉ teve acesso à leitura de dois desses relatórios, produzidos em 1975 pelo Serviço Nacional de Informações do Brasil (SNI). O primeiro informa que documentos pessoais de Jango foram subtraídos "de forma clandestina", entre eles cartas do ex-presidente Juan Domingo Perón e do ex-deputado Ulysses Guimarães. O segundo é o relato de um certo "Agente B", que acompanhou de perto e fotografou a festa de aniversário do ex-presidente.

"Até agora, o esforço para a apuração das coisas tem sido familiar e pessoal, mas, daqui para a frente, não há mais muito em que a família possa avançar", diz João Vicente Goulart. Na ação, ele sugere que o Ministério Público tire Barreiro do Rio Grande do Sul e o transfira para Brasília, onde ele poderia narrar tudo o que sabe e esclarecer não apenas o caso relativo ao seu pai mas as circunstâncias do desaparecimento de outras pessoas durante as ditaduras sul-americanas. "Ele pode ser um dos últimos elos vivos dessas ações."

Vitrine do Cariri
IstoÉ




http://www.vitrinedocariri.com/index.php?option=com_content&task=view&id=16962&Itemid=21

sábado, 19 de janeiro de 2008

Deputado da Arena denuncia o fracasso do movimento de 64 (Tribuna da Imprensa há 40 anos)




(Manchete da TRIBUNA DA IMPRENSA de 19 de janeiro de 1968):

Jamil dá nome aos bois

BRASÍLIA (Sucursal) - As denúncias de corrupção no meio sindical ganharam nova dimensão, quando o deputado Jamil Amidem (MDB-GB) ocupou, ontem, a tribuna da Câmara, para citar nominalmente os sindicatos brasileiros subvencionados por entidades estrangeiras, ao mesmo tempo que se instalava a Comissão Parlamentar de Inquérito incumbida de promover investigações sobre o assunto. O representante carioca leu o texto de circular remetida pelo sr. Efraim Velasquez à Federação Internacional de Petroleiros e Químicos, em que critica, entre outras coisas, "a aparente incapacidade dos líderes trabalhistas brasileiros de estabelecer e manter um diálogo construtivo com o governo".

Deputado da Arena denuncia o fracasso do movimento de 64

No entender do deputado Mauro Werneck (Arena) "a revolução de 1964, após quase 4 anos, exibe, de forma exuberante, o seu fracasso total no plano político, econômico e sorial". Disse o parlamentar que "os militares após empolgarem o poder, diante da anarquia e do retrocesso econômico dominantes em 1968, não se mostram preparados para grandes tarefas.

Acentuou, ainda que "os militares, apesar de patriotas, patrocinam cegamente causas anti-Brasil; são honestos, e estão servindo de biombo a grandes e injustas negociatas; são "povo", mas, contribuem para o desprezo pelos politiqueiros são progressistas, no entanto se tornaram guardiães da política de estagnação".

Guatemala e Grã-Bretanha atuarão como mediadores de
impasse

LONDRES - (Carlos Sampaio - enviado especial) - Os países participantes do Acordo Internacional concordaram em que a Guatemala e Grã-Bretanha, atuam como mediadores, respectivamente, pelos produtores e importadores, do impasse entre as delegações do Brasil e Estados Unidos em relação ao problema do café solúvel.

Com essa decisão, deduz-se claramente que a delegação americana rejeitou a emenda do ministro Macedo Soares, na qual se propunha que o problema do café solúvel fosse incluído na pauta normal de atribuições da Organização Internacional do Café. Apesar de favorecê-los, essa emenda foi rejeitada pelos americanos, que querem o atendimento total de suas reivindicações.

Guedes Muniz pede ação contra os que caluniam militares

O presidente Costa e Silva desceu ontem de Petrópolis, interrompendo pela primeira vez, seu veraneio na Serra. Veio ao Rio para assistir à missa em ação de graças pelos 47 anos de sua formatura na Escola Militar das Laranjeiras. Mas hoje pela manhã, lá retornou à "Capital de Verão". O Marechal Costa e Silva chegou ao Rio num "Galaxie" chapa de Brasília, acompanhado pelo seu ajudante-de-ordens. Ao chegar à rua Uruguaiana, desnorteou totalmente seu esquema de segurança, quando deu a ordem. taxativa: "não quero aparatos em frente à Igreja".

http://www.tribuna.inf.br/40anos.asp

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Jango provará que Negrão traiu (Tribuna da Imprensa há 40 anos)

(Manchete da TRIBUNA DA IMPRENSA de 17 de janeiro de 1968)


SÃO PAULO (Sucursal) - O ex-presidente João Goulart tem dito a seus amigos, em Montevidéu, que divulgará, em breve, toda as cartas a ele enviadas pelo governador Negrão de Lima comprometendo-se, antes da sua eleição para o governo da Guanabara, a apoiar as eleições diretas e a anistia "como etapas importantes para a redemocratização do País".

A informação foi liberada ontem pelo sr. João Moura Valle, cunhado do ex-presidente, assinalando que "quando resolver tomar uma posição direta contra Negrão de Lima, o que vai acontecer dentro de breves dias, ele não terá possibilidade de obter maioria na Assembléia carioca".

Terremoto continua castigando a Itália e fazendo vítimas

ROMA, 16 - A inquietação aumenta na Sicília depois do novo terremoto, que ocorreu ontem à tarde, às 17,43 horas local e causou novas destruições em Gibelina e Montevago. A convulsão telúrica durou 52 minutos e atingiu a intensidade de oito graus mercalli (máximo 12). Gibelina e Montevago ficaram praticamente arrasadas. Com os seis terremotos ocorridos ontem, o total de abalos em dois dias eleva-se a 28. "É tão grande a amplitude do desastre" que continua sendo impossível adiantar um número de vítimas e calcular os danos materiais, declarou ontem à tarde no Senado o ministro do Interior, Emílio Taviani.

Chanceler argentino chega dia 20 para visita de 4 dias

Para uma visita oficial de 4 dias ao Brasil, após ter sido solucionado um dos principais problemas pendentes entre os dois países - uso do mar territorial argentino por pesqueiros brasileiros -, chega domingo ao Rio o chanceler argentino Costa Mendez. Nos últimos meses, os governos dos dois países (em que pese a quase crise gerada pela questão do mar territorial) vêm trabalhando quase que em conjunto no que se refere a questões de âmbito internacional. Há como que uma aliança, que dentro da ALALC, quer na OEA, ou até mesmo ONU, com os diplomatas brasileiros e argentinos buscando soluções conjuntas para problemas bi ou multilaterais.

Arena articula canditatura de Djalma Marinho contra Batista

BRASÍLIA - A candidatura do deputado Djalma Marinho à presidência da Câmara, já em articulação pelo grupo arenista interessado em renovar e dar afirmação ao partido, ameaça cingir os esquemas anteriormente feitos em torno dos nomes dos srs. Batista Ramos e José Bonifácio. O lançamento da candidatura Djalma Marinho, no entender dos novos parlamentares governistas, constitui o desdobramento da posição assumida pelo Rafael de Almeida Magalhães, na última reunião da Arena no Rio, quando criticou o imobilismo e a debilidade do partido, que se mostra incapaz de abrir caminho à retomada da normalidade constitucional.

http://www.tribuna.inf.br/40anos.asp

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

A derrota da UDN nas eleições legislativas de 1954 e os consequentes desdobramentos

O Senado e a 4ª República (3)



As Eleições Legislativas de 1954

O Vice-Presidente Café Filho assumiu no mesmo dia da morte de Getúlio Vargas, nomeando um Ministério predominantemente udenista e adotando uma política econômica contrária à estatização e favorável ao capital estrangeiro. O Brigadeiro Eduardo Gomes assumiu o Ministério da Aeronáutica, cabendo ao General Henrique Teixeira Lott ocupar o Ministério da Guerra, favorável a que o Exército se mantivesse estritamente dentro da legalidade. Em dezembro de 1954, realizaram-se as eleições legislativas: o PSD elegeu 114 Deputados, o PTB, 56, e a UDN, 74, com uma redução de 10 no número dos seus representantes na Câmara dos Deputados.

O Grupo Sorbonne

Nos meados dos anos 50, constituiu-se na Escola Superior de Guerra um grupo de oficiais intelectuais, entre os quais destacavam-se o General Humberto de Alencar Castelo Branco e o Coronel Golbery do Couto e Silva, cognominado de Sorbonne, de linha conservadora e autoritária, dedicado a estudos de geopolítica e economia, e defensor de drástica intervenção dos militares na política, diante da incapacidade de a elite civil resolver os grandes problemas nacionais, segundo pregavam. Mais tarde esse grupo viria a elaborar a ideologia que deu origem ao golpe político-militar de 1964.

As Eleições Presidenciais de 1955

Às eleições de 1955, a aliança PSD-PTB lançou como candidatos a Presidente e Vice-Presidente, respectivamente, Ademar de Barros
o ex-governador de Minas Gerais, Juscelino Kubitschek, e o ex-Ministro do Trabalho de Getúlio, João Goulart, sendo os outros candidatos o General Juarez Távora, pela UDN, Ademar de Barros, pelo PSP, e Plínio Salgado, pelo PRP.

Bônus de Campanha Juarez Távora


A Carta Brandi e a República Sindicalista

A extrema direita tentou inviabilizar a candidatura de Juscelino e Jango (apelido de João Goulart), preparando um novo plano golpista, a ser executado por etapas, e publicando a famosa Carta Brandi, que tentava envolver Jango num caso de contrabando de armas da Argentina para o Brasil, visando a instalação de uma República Sindicalista, similar ao peronismo argentino.

Mesmo diante de todas as pressões, Juscelino e Jango venceram as eleições de 3 de outubro de 1955. Em meados de outubro de 1955, a UDN, sob a argumentação de que Juscelino e Jango tinham recebido cerca de 500.000 votos dos comunistas (a diferença entre JK e Juarez Távora foi exatamente 459.733 votos), entrou com um pedido de impugnação das eleições no TSE, numa luta coordenada pelo Deputado Pedro Aleixo e defendida na Câmara e no Senado por Afonso Arinos e Aliomar Baleeiro, mas que não prosperou. Nas próprias hostes udenistas existiam posições contrárias, como as de Adauto Lúcio Cardoso e José Américo de Almeida.


Fonte: Senado Federal

http://www.senado.gov.br/comunica/historia/Rep15.htm