Governo diz que prisão de líder foi erro
O "governador" Luís Viana, da Bahia, e seu colega Abreu Sodré, de São Paulo, acompanhados pelo senador Daniel Krieger, presidente da Arena, almoçaram ontem juntos, no Rio, e entenderam que a prisão do líder estudantil Wladimir Palmeira foi "um lamentável erro político do governo", porque vai dar motivo para manifestações dos estudantes que já não tinham condições para fazer, com êxito, novas concentrações.
Discutiram inclusive a idéia de se avistarem com o marechal Costa e Silva, no Palácio das Laranjeiras, hoje pela manhã, para tratar do problema com o chefe do governo, ocasião em que reiterariam ponto de vista já firmado de que as questões do ensino no Brasil só serão solucionadas quando houver as reformas dos sistemas atuais, que consideram completamente superados.
Visita de Lacerda aumenta repressão a Jânio
CORUMBÁ (De Mauro Ribeiro, enviado especial) - O aeroporto desta cidade passou todo o dia fortemente policiado ante a notícia de que o ex-governador Carlos Lacerca chegaria ontem para se avistar com o sr. Jânio Quadros. Corumbá foi dominada por uma série de boatos, desde a chegada iminente do sr. Carlos Lacerda, que já estaria em Campo Grande, até um encontro secreto entre os Srs. Jânio Quadros, Juscelino Kubischek e um emissário do Sr. João Goulart, numa fazenda situada perto da cidade.
O ex-presidente Jânio Quadros confirmou que vai mesmo divulgar, nos próximos 15 dias, um manifesto de críticas ao governo, sendo que até a quinta-feira liberará para os jornalistas partes do documento, onde ele narra todos os fatos que precederam o seu confinamento.
Jordânia convoca conselho da ONU
O governo jordaniano solicitou ontem a reunião urgente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, após o ataque da aviação israelense a seu território precisamente na região de El Salt, onde os israelenses acreditam ser a base da organização palestina "El Fatah".
Antes de iniciar o ataque aéreo contra a Jordânia os aviões israelenses lançaram panfletos na região de Salt, que expressavam as seguintes advertências: "Saibam que o que os espera em Israel é a morte ou o cárcere. Vossos chefes vos enganam. Só no mês de julho enterramos 44 terroristas e mais de 200 estão em nossas prisões.
Convite a Saldanha agita seleção
O convite do chefe da delegação carioca, Sr. Ciro Aranha, ao comentarista João Saldanha, para assessorar o técnico Zagalo à boca do túnel no jogo de quarta-feira com os argentinos, desagradou ao supervisor, técnico, médico e preparador físico da seleção.
Aranha tomou esta decisão sem fazer qualquer consulta, tanto que resolveu marcar uma reunião para hoje, às 17h30 horas, entre os membros da cúpula, mas Zagalo e Lídio Toledo já anunciaram que não poderão comparecer. O técnico levará sua mulher ao médico e Lídio alegou que todas as segundas-feiras viaja para o interior de São Paulo a fim de operar num hospital.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Lacerda diz que irá mesmo se reunir com Jânio (Tribuna da Imprensa há 40 anos)
SALVADOR (Do correspondente) - Ao passar por esta cidade, ontem, a caminho da Guanabara, onde deverá chegar hoje, o ex-governador Carlos Lacerda manteve encontro com amigos e repórteres aos quais confirmou que irá ao encontro do ex-presidente Jânio Quadros, em Corumbá. Mato Grosso. Adiantou ainda que no encontro que manterá com o Sr. Jânio Quadros pretende discutir a ampliação dos Pactos de Lisboa e Montevidéu, firmado com os ex-presidentes Juscelino Kubitschek e João Goulart.
Jânio pode ficar incomunicável para não ver CL
O governo federal pode determinar hoje, logo após a reunião ministerial, que o ex-presidente Jânio Quadros, confinado em Corumbá, permaneça em estado de incomunicabilidade como fórmula para impedir as suas entrevistas diárias à imprensa e o anunciado encontro com o ex-governador Carlos Lacerda, que as autoridades governamentais consideram iminente.
A reunião ministerial, que se inicia às 9h30, no Palácio das Laranjeiras, deverá se revestir de grande importância, embora a sua convocação tenha sido feita "exclusivamente" para exame das reivindicações prioritárias da Amazônia, para onde o foverno se deslocará a partir do dia 6.
Jânio pode ficar incomunicável para não ver CL
O governo federal pode determinar hoje, logo após a reunião ministerial, que o ex-presidente Jânio Quadros, confinado em Corumbá, permaneça em estado de incomunicabilidade como fórmula para impedir as suas entrevistas diárias à imprensa e o anunciado encontro com o ex-governador Carlos Lacerda, que as autoridades governamentais consideram iminente.
A reunião ministerial, que se inicia às 9h30, no Palácio das Laranjeiras, deverá se revestir de grande importância, embora a sua convocação tenha sido feita "exclusivamente" para exame das reivindicações prioritárias da Amazônia, para onde o foverno se deslocará a partir do dia 6.
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Carlos Lacerda a caminho de Jânio em seu degredo (Tribuna da Imprensa há 40 anos)
1 de agosto de 1968
O ex-governador Carlos Lacerda declarou, ontem, em Recife, que vai ao encontro do ex-presidente Jânio Quadros em seu confinamento em Curumbá, pois agora é fácil encontrá-lo em "local certo e sabido". A seguir, Lacerda admitiu que pode reintegrar-se ao esquema "revolucionário", desde que o marechal Costa e Silva se proponha a atendê-lo nas seguintes reivindicações: 1ª - Elaboração de uma nova Carta Magna; 2ª - Convocação de uma Assembléia Constituinte; 3ª - Eleições diretas para a Presidência da República. O ex-governador da Guanabara manteve também uma longa conferência com dom Hélder Câmara, no Palácio de Manguinhos, sem que nada fosse revelado desse encontro.
Corumbá: JQ diz que recebe CL com prazer
CURUMBÁ - Às primeira horas de hoje, o sr. Jânio Quadros afirmou que receberá com prazer a visita do sr. Carlos Lacerda, caso o ex-governador da Guanabara aqui apareça. Por outro lado, dona Eloá declarou que vai passar a fazer pronunciamentos políticos, retratando "o quadro de forças a que fui submetida".
Jânio quadros repeliu as exigências do general Mendonça Lima, no sentido de que não desse mais entrevistas à imprensa, limitando sua ação a uma área que seria traçadas pela II Brigada Mista. O ex-presidente está inteiramente cercado. Na porta do apartamento onde se encontra hospedado acha-se um agente federal de plantão. Na entrada do hotel, mais dois agentes e, nas imediações, um jipe com um sargento e dois soldados.
Justiça pode julgar JQ depois do confinamento
SÃO PAULO - (Sucursal) - O processo formado ontem na Sexta Vara da Justiça Federal, constituído da portaria do ministro da Justiça que confinou o sr. Jânio Quadros, somente será julgado daqui a quatro meses se o juiz encarregado do caso, sr. José Pereira Gomes, cumprir rigorosamente os trâmites normais.
O ministro Gama e Silva, cumprindo a exigência fixada no Ato institucional nº 2, enviou ontem à tarde à Justiça Federal de São Paulo a cópia de sua portaria, acompanhada de um ofício e da investigação sumária realizada pela seção paulista do Departamento de Polícia Federal. O processo foi então organizado e, em seguida, o juiz distribuidor Caio Plínio Barreto fez o sorteio, que indicou a Sexta Vara, cujo juiz homologará ou não a decisão do ministro da Justiça.
Arena pede a Costa que ouça
A liderança da Arena resolveu fazer novo apelo ao marechal Costa e Silva para que estude, sem prevenções, as reivindicações da Igreja, dos trabalhadores, estudantes, intelectuais, artistas e parlamentares que estão fazendo movimentos de rua, lembrando ao chefe do governo que nenhuma classe "quer derrubar o regime mas apenas colaborar na reforma das estruturas sociais que estão estagnando o País".
O senador Daniel Krieger, que se encontrava ontem em Porto Alegre, deverá ser, na qualidade de presidente do partido, o portador do documento contendo as ponderações dos parlamentares que apóiam o governo, o que ocorrerá durante um encontro do marechal Costa e Silva com todos os líderes e vice-líderes da Arena, que será oportunamente marcado.
O ex-governador Carlos Lacerda declarou, ontem, em Recife, que vai ao encontro do ex-presidente Jânio Quadros em seu confinamento em Curumbá, pois agora é fácil encontrá-lo em "local certo e sabido". A seguir, Lacerda admitiu que pode reintegrar-se ao esquema "revolucionário", desde que o marechal Costa e Silva se proponha a atendê-lo nas seguintes reivindicações: 1ª - Elaboração de uma nova Carta Magna; 2ª - Convocação de uma Assembléia Constituinte; 3ª - Eleições diretas para a Presidência da República. O ex-governador da Guanabara manteve também uma longa conferência com dom Hélder Câmara, no Palácio de Manguinhos, sem que nada fosse revelado desse encontro.
Corumbá: JQ diz que recebe CL com prazer
CURUMBÁ - Às primeira horas de hoje, o sr. Jânio Quadros afirmou que receberá com prazer a visita do sr. Carlos Lacerda, caso o ex-governador da Guanabara aqui apareça. Por outro lado, dona Eloá declarou que vai passar a fazer pronunciamentos políticos, retratando "o quadro de forças a que fui submetida".
Jânio quadros repeliu as exigências do general Mendonça Lima, no sentido de que não desse mais entrevistas à imprensa, limitando sua ação a uma área que seria traçadas pela II Brigada Mista. O ex-presidente está inteiramente cercado. Na porta do apartamento onde se encontra hospedado acha-se um agente federal de plantão. Na entrada do hotel, mais dois agentes e, nas imediações, um jipe com um sargento e dois soldados.
Justiça pode julgar JQ depois do confinamento
SÃO PAULO - (Sucursal) - O processo formado ontem na Sexta Vara da Justiça Federal, constituído da portaria do ministro da Justiça que confinou o sr. Jânio Quadros, somente será julgado daqui a quatro meses se o juiz encarregado do caso, sr. José Pereira Gomes, cumprir rigorosamente os trâmites normais.
O ministro Gama e Silva, cumprindo a exigência fixada no Ato institucional nº 2, enviou ontem à tarde à Justiça Federal de São Paulo a cópia de sua portaria, acompanhada de um ofício e da investigação sumária realizada pela seção paulista do Departamento de Polícia Federal. O processo foi então organizado e, em seguida, o juiz distribuidor Caio Plínio Barreto fez o sorteio, que indicou a Sexta Vara, cujo juiz homologará ou não a decisão do ministro da Justiça.
Arena pede a Costa que ouça
A liderança da Arena resolveu fazer novo apelo ao marechal Costa e Silva para que estude, sem prevenções, as reivindicações da Igreja, dos trabalhadores, estudantes, intelectuais, artistas e parlamentares que estão fazendo movimentos de rua, lembrando ao chefe do governo que nenhuma classe "quer derrubar o regime mas apenas colaborar na reforma das estruturas sociais que estão estagnando o País".
O senador Daniel Krieger, que se encontrava ontem em Porto Alegre, deverá ser, na qualidade de presidente do partido, o portador do documento contendo as ponderações dos parlamentares que apóiam o governo, o que ocorrerá durante um encontro do marechal Costa e Silva com todos os líderes e vice-líderes da Arena, que será oportunamente marcado.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Jânio: Só pela força me levam para Mato Grosso (Tribuna da Imprensa há 40 anos)
30 de julho de 1968
Em face da violenta reação do Sr. Jânio Quadros, que protestou contra o tratamento dispensado a um ex-chefe do governo, o ministro da Justiça fez uma pequena concessão, dilatando até as sete horas da manhã de hoje o prazo dado inicialmente para que o ex-presidente se decidisse a cumprir a ordem de confinamento. Enquanto se processavam essas demarches, o cerco policial ia se fechando em torno da casa do Sr. Jânio Quadros, inclusive com a presença de soldados do Exército, armados de metralhadora, que aguardavam ordens para entrar em ação.
Parlamentares, líderes sindicais, além de amigos e admiradores do ex-presidente, em clima de forte tensão, permaneciam no interior da casa sitiada, onde sucesivas reuniões, sob o comando do próprio Jânio, discutiam as medidas cabíveis contra o ato do governo.
JK estuda o desterro
Só hoje pela manhã o ex-presidente Juscelino Kubitschek decidirá o que fazer em relação ao confinamento do Sr. Jânio Quadros. Reunido com antigos auxiliares e com o deputado Renato Archer, o ex-presidente Juscelino Kubitschek, em face da precariedade de informações sobre o confinamento de Jânio Quadros, deixou para hoje qualquer decisão pública a respeito do assunto: Tendência: publicação de um minifesto de apoio a Jânio.
Josaphat denuncia que degredo contraria tudo
O senador Josaphat Marinho (MDB-Bahia) disse ontem que o confinamento do Sr. Jânio Quadros, determinado pelo ministro Gama e Silva, "contraria, fundamentalmente, todos os preceitos jurídicos do País", acentuando que os Atos Institucionais, que serviram de apoio à decisão ministerial, perderam todos os seus efeitos com a entrada em vigor da Constituição de 1967.
"O que o Artigo 173 da atual Constituição quis preservar, explicou, foram determinados efeitos das aplicações dos Atos Institucionais, como, por exemplo, o impedimento de os cassados votarem ou serem votados. Não há, porém, nem no corpo das disposições permanentes nem no das disposições transitórias, uma regra, mas uma só, que, explícita ou implicitamente, consagre a sobrevivência dos Atos Institucionais e complementares.
Em face da violenta reação do Sr. Jânio Quadros, que protestou contra o tratamento dispensado a um ex-chefe do governo, o ministro da Justiça fez uma pequena concessão, dilatando até as sete horas da manhã de hoje o prazo dado inicialmente para que o ex-presidente se decidisse a cumprir a ordem de confinamento. Enquanto se processavam essas demarches, o cerco policial ia se fechando em torno da casa do Sr. Jânio Quadros, inclusive com a presença de soldados do Exército, armados de metralhadora, que aguardavam ordens para entrar em ação.
Parlamentares, líderes sindicais, além de amigos e admiradores do ex-presidente, em clima de forte tensão, permaneciam no interior da casa sitiada, onde sucesivas reuniões, sob o comando do próprio Jânio, discutiam as medidas cabíveis contra o ato do governo.
JK estuda o desterro
Só hoje pela manhã o ex-presidente Juscelino Kubitschek decidirá o que fazer em relação ao confinamento do Sr. Jânio Quadros. Reunido com antigos auxiliares e com o deputado Renato Archer, o ex-presidente Juscelino Kubitschek, em face da precariedade de informações sobre o confinamento de Jânio Quadros, deixou para hoje qualquer decisão pública a respeito do assunto: Tendência: publicação de um minifesto de apoio a Jânio.
Josaphat denuncia que degredo contraria tudo
O senador Josaphat Marinho (MDB-Bahia) disse ontem que o confinamento do Sr. Jânio Quadros, determinado pelo ministro Gama e Silva, "contraria, fundamentalmente, todos os preceitos jurídicos do País", acentuando que os Atos Institucionais, que serviram de apoio à decisão ministerial, perderam todos os seus efeitos com a entrada em vigor da Constituição de 1967.
"O que o Artigo 173 da atual Constituição quis preservar, explicou, foram determinados efeitos das aplicações dos Atos Institucionais, como, por exemplo, o impedimento de os cassados votarem ou serem votados. Não há, porém, nem no corpo das disposições permanentes nem no das disposições transitórias, uma regra, mas uma só, que, explícita ou implicitamente, consagre a sobrevivência dos Atos Institucionais e complementares.
sábado, 13 de setembro de 2008
Para Lula, momento brasileiro lembra "anos dourados de JK"

BRASÍLIA - Com as pesquisas de opinião apontando uma taxa de popularidade alta como nunca, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou um evento modesto - a abertura de uma exposição no Memorial Juscelino Kubitschek, em comemoração aos 106 anos de nascimento do ex-presidente - para proclamar que o Brasil vive hoje um momento semelhante aos "anos dourados" da era JK.
Lula tomou o cuidado de não comparar-se pessoalmente com o fundador de Brasília. Mas o discurso, ouvido por um auditório ocupado apenas pela metade, foi pontuado por paralelos: a origem humilde, o desejo de fazer do Estado o planejador do desenvolvimento e até o fato de Juscelino ter sido "achincalhado" sem nunca levantar a voz.
Os anos JK foram marcados por um grande otimismo em relação ao futuro e por decisões ousadas que transformaram o País, como a opção por uma economia industrializada, a começar pela instalação das montadoras. Lula acredita ter retomado essa trilha, depois de um período em que o planejamento foi abandonado no País.
Um exemplo é o que aconteceu com a indústria naval, cujo desenvolvimento estava previsto no item 28 do Plano de Metas de JK. Nos anos 70, disse Lula, a indústria de embarcações no Brasil empregava 40.000 pessoas e era a segunda maior do mundo, perdendo só para o Japão. Em 2003, os estaleiros estavam à beira da falência, com um total de 1.400 empregados.
Naquele ano, disse Lula, foi tomada a "decisão soberana" de revitalizar a indústria naval. A primeira providência foi nacionalizar a construção da plataforma P-52. Seguiram-se outras encomendas. Hoje, os estaleiros empregam novamente 40.000 pessoas e estão prestes a passar por um novo impulso, pois a exploração do pré-sal demandará mais de 200 novos navios, além de sondas e plataformas.
Lula deu uma alfinetada na gestão de Fernando Henrique Cardoso, marcada pelas privatizações e pelas crises financeiras. Ao comentar que o pré-sal surgiu num momento em que o processo de crescimento já estava em curso, ele acrescentou: "tivesse emergido em outros tempos, talvez esse patrimônio fosse alienado na voragem das liquidações impostas pelo estrangulamento interno."
Os números que mostram o vigor da economia - como a expansão de 18% na indústria de máquinas e os investimentos evoluindo a um ritmo três vezes superior ao crescimento do Produto Interno Bruto - colocam o Brasil em um momento tão confiante quanto no período de Juscelino, avaliou Lula. "Trata-se de um Brasil à moda de JK. Um país que retomou a auto-estima de sua juventude, hoje uma das mais otimistas do mundo." A exposição "Um Certo Navio Brasileiro", inaugurada com a presença de Lula, mostra painéis da plataforma P-34.
Comprada nos anos 50 para extrair petróleo, a embarcação havia recebido o nome de Presidente Juscelino Kubitschek. Durante a ditadura militar, foi rebatizada como Presidente Prudente de Moraes. Recentemente, a plataforma voltou a ter seu nome original. Foi a bordo dela que Lula deu início à exploração do petróleo do pré-sal, na semana passada, na costa do Espírito Santo.
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Presidente elogia ousadia do ex-presidente Juscelino Kubitschek
Roberta Lopes
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou hoje (12) durante o discurso em comemoração dos 106 anos do nascimento do ex-presidente Juscelino Kubitschek, a ousadia e a nova forma de gestão política imposta pelo ex-presidente.
"Foi JK [Juscelino Kubitschek] quem conscientizou o país de que o desenvolvimento nacional é uma prerrogativa nacional intransferível de um povo, e sobretudo que com ousadia e planejamento é possível fazer do amanhã algo muito além de uma simples repetição do presente", afirmou o presidente.
O presidente Lula disse que foi o ex-presidente quem começou a desenvolver a indústria brasileira, trazendo fábricas de automóveis e refinarias de petróleo para o país.
O presidente lembrou que no fim da década de 50 fabricar carros no Brasil era uma ousadia reprovada pelos defensores da vocação agrícola nacional, que eram importados 90% do petróleo consumido, que praticamente não havia mão-de-obra qualificada e que o setor de crédito engatinhava.
"Hoje somos auto-suficientes em petróleo, 13.500 veículos saem das linhas de montagem por dia, mais de 300 mil brasileiros trabalham nas montadoras e no setor de autopeças. Do chão da fábrica também saiu um presidente da República, em mais uma evidência da semeadura generosa promovida pelo desassombro de JK", afirmou.
Lula destacou que uma das metas do Plano de Metas de JK dizia respeito ao aumento do frota naval. "A meta número 11 do Plano de Metas de Juscelino era a renovação da Marinha Mercante brasileira. A meta número 28, previa a implantação de uma indústria naval condizente com a nossa riqueza costeira e oceânica", lembrou.
O presidente também lembrou que na década de 70 o Brasil tinha a segunda maior indústria naval do mundo e só perdia para o Japão. Os estaleiros brasileiros empregavam quase 40 mil pessoas. Em 2003, disse Lula, essa indústria tinha 1.600 trabalhadores e agora conta novamente com 40 mil trabalhadores.
"Com a descoberta do petróleo [na camada pré-sal], nós certamente iremos ter mais do que os 40 mil trabalhadores que temos hoje, porque só de navios contratados pela Petrobras são 200, sondas serão inicialmente 38 e plataformas dezenas. Certamente Juscelino está sorrindo pelo que está acontecendo aqui", afirmou.
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou hoje (12) durante o discurso em comemoração dos 106 anos do nascimento do ex-presidente Juscelino Kubitschek, a ousadia e a nova forma de gestão política imposta pelo ex-presidente.
"Foi JK [Juscelino Kubitschek] quem conscientizou o país de que o desenvolvimento nacional é uma prerrogativa nacional intransferível de um povo, e sobretudo que com ousadia e planejamento é possível fazer do amanhã algo muito além de uma simples repetição do presente", afirmou o presidente.
O presidente Lula disse que foi o ex-presidente quem começou a desenvolver a indústria brasileira, trazendo fábricas de automóveis e refinarias de petróleo para o país.
O presidente lembrou que no fim da década de 50 fabricar carros no Brasil era uma ousadia reprovada pelos defensores da vocação agrícola nacional, que eram importados 90% do petróleo consumido, que praticamente não havia mão-de-obra qualificada e que o setor de crédito engatinhava.
"Hoje somos auto-suficientes em petróleo, 13.500 veículos saem das linhas de montagem por dia, mais de 300 mil brasileiros trabalham nas montadoras e no setor de autopeças. Do chão da fábrica também saiu um presidente da República, em mais uma evidência da semeadura generosa promovida pelo desassombro de JK", afirmou.
Lula destacou que uma das metas do Plano de Metas de JK dizia respeito ao aumento do frota naval. "A meta número 11 do Plano de Metas de Juscelino era a renovação da Marinha Mercante brasileira. A meta número 28, previa a implantação de uma indústria naval condizente com a nossa riqueza costeira e oceânica", lembrou.
O presidente também lembrou que na década de 70 o Brasil tinha a segunda maior indústria naval do mundo e só perdia para o Japão. Os estaleiros brasileiros empregavam quase 40 mil pessoas. Em 2003, disse Lula, essa indústria tinha 1.600 trabalhadores e agora conta novamente com 40 mil trabalhadores.
"Com a descoberta do petróleo [na camada pré-sal], nós certamente iremos ter mais do que os 40 mil trabalhadores que temos hoje, porque só de navios contratados pela Petrobras são 200, sondas serão inicialmente 38 e plataformas dezenas. Certamente Juscelino está sorrindo pelo que está acontecendo aqui", afirmou.
sábado, 12 de julho de 2008
Brizola e Lacerda jamais se falaram (Helio Fernandes - Trfibuna da Imprensa
O encontro do governador com João Goulart, ex-presidente
Helio
Inspirado em teu artigo, quero lembrar que o destino colocou Brizola e Lacerda lado a lado na história brasileira; só faltou serem íntimos. Vamos ver: José Brizola, pai de Brizola (que morreu degolado), foi capitão dos provisórios de Leonel Rocha, caudilho maragato, na Revolução Federalista de 1923, que em 1924 deu apoio a Prestes, com homens e armas. Terminada a revolução, já em 1928, os líderes maragatos, tendo à frente Assis Brasil, fundaram o Partido Libertador, e Maurício de Lacerda, pai de Lacerda, foi um dos fundadores. Maurício seguia o ideário maragato, pelo qual o pai de Brizola morreu lutando.
Brizola e Lacerda "terçaram armas" na Câmara de Deputados em 1954, quando eleitos deputados federais: Lacerda começava a jurar a Constituição, quando Brizola interrompeu dizendo que era um juramento falso, porque ele estava pregando o golpe de Estado lá fora. Brizola exibiu a Tribuna da Imprensa, em que Lacerda defendia um estado de emergência; houve estupefação geral (Moniz Bandeira).
Atenciosamente,
Antonio Santos Aquino - Rio de Janeiro
Comentário e revelações
Lembro muito bem esse episódio em 31 de janeiro de 1955. Brizola já havia feito o juramento, quando Lacerda ia fazer o seu foi interrompido de forma agressiva e inédita. Mas não tiveram mais oportunidade de se relacionarem. Brizola foi logo para o Sul, nesse mesmo 1955, em 3 de outubro se elegeu prefeito de Porto Alegre. Não terminou o mandato, em 3 de outubro de 1958 era eleito governador do Estado.
Curiosamente derrotando a UDN e o PSD, que se aliavam sempre contra ele, que disputava pelo PTB. UDN e PSD tinham a intuição ou a certeza de que o homem a derrotar, de qualquer maneira, era Leonel Brizola. E acabaram tendo razão.
Ele e Lacerda continuavam distantes, mais geográfica do que ideológica ou administrativamente. Brizola assumiu o governo em janeiro de 1959, Lacerda em dezembro de 60. Os dois foram excelentes governadores. Em 3 de outubro de 1962, ainda governador do Rio Grande do Sul, Brizola se elegeu deputado federal pela Guanabara, governada por Lacerda.
Deixou o governo em 31 de janeiro de 1963, no mesmo dia assumia na Câmara. A partir daí a História é visível, não precisa ser contada. O golpe de 64 (um contra, o outro a favor) acabaria por destruir os dois, impedindo que chegassem a presidente. Brizola tinha enorme capacidade de "fazer amigos e inimigos". Antes de 64, candidato a presidente com o slogan "cunhado não é parente, Brizola para presidente". Ainda em 1963, tentou um acordo com Jango, que o nomearia ministro da Fazenda e o marechal Lott, ministro da Guerra, com o direito de vigiá-lo no Ministério da Fazenda para "que não fizesse loucura".
João Goulart até que não ficou totalmente contra, pediu tempo. Mas conversou com Roberto Marinho, que acabava de publicar na primeira página de "O Globo" o editorial "João Goulart, um estadista". Com base nisso, estando na companhia do embaixador Lincoln Gordon, e sentado na cama do presidente, disse a ele: "Se você (intimidade total) nomear o Brizola ministro da Fazenda, não termina o mandato". Goulart recuou, não nomeou Brizola e não terminou o mandato. Era melhor ter nomeado, não sei o que aconteceria, mas o Brasil não seria o mesmo.
Quando Carlos Lacerda foi a Montevidéu, levar o "Manifesto da Frente Ampla" para o ex-presidente assinar, conversaram demoradamente. Em determinado momento, Carlos Lacerda disse a João Goulart: "Tenho que ir embora pois vou a Atlântida (onde Brizola estava confinado, por ter feito declarações sobre o golpe de 64 e os generais brasileiros pediram ao Uruguai que o mandassem para o interior, o que foi feito) ver se o governador Brizola quer assinar o Manifesto".
Na volta, Carlos Lacerda me contou, ainda surpreendido: "Quando falei isso, João Goulart empurrou o papel para mim e disse, se esse senhor assinar eu não assino". Perguntei o que ele fez. Resposta: "Disse, presidente, se o senhor não quiser não procuramos a assinatura dele". E assim foi feito.
PS - Aproveitando uma carta ótima, recordei e contei acontecimentos inteiramente desconhecidos, até hoje não revelados.
PS 2 - Eu ia a Montevidéu com Lacerda, não consegui autorização para viajar. Se despedindo, Lacerda me disse: "Puxa, não queria ir sozinho, não por causa do Jango, nós somos políticos, vamos nos entender. Mas se Dona Maria Teresa aparece e me pergunta o que estou fazendo na sua casa? Não sei o que responder". Felizmente (para o encontro) Dona Maria Teresa não apareceu.
Helio
Inspirado em teu artigo, quero lembrar que o destino colocou Brizola e Lacerda lado a lado na história brasileira; só faltou serem íntimos. Vamos ver: José Brizola, pai de Brizola (que morreu degolado), foi capitão dos provisórios de Leonel Rocha, caudilho maragato, na Revolução Federalista de 1923, que em 1924 deu apoio a Prestes, com homens e armas. Terminada a revolução, já em 1928, os líderes maragatos, tendo à frente Assis Brasil, fundaram o Partido Libertador, e Maurício de Lacerda, pai de Lacerda, foi um dos fundadores. Maurício seguia o ideário maragato, pelo qual o pai de Brizola morreu lutando.
Brizola e Lacerda "terçaram armas" na Câmara de Deputados em 1954, quando eleitos deputados federais: Lacerda começava a jurar a Constituição, quando Brizola interrompeu dizendo que era um juramento falso, porque ele estava pregando o golpe de Estado lá fora. Brizola exibiu a Tribuna da Imprensa, em que Lacerda defendia um estado de emergência; houve estupefação geral (Moniz Bandeira).
Atenciosamente,
Antonio Santos Aquino - Rio de Janeiro
Comentário e revelações
Lembro muito bem esse episódio em 31 de janeiro de 1955. Brizola já havia feito o juramento, quando Lacerda ia fazer o seu foi interrompido de forma agressiva e inédita. Mas não tiveram mais oportunidade de se relacionarem. Brizola foi logo para o Sul, nesse mesmo 1955, em 3 de outubro se elegeu prefeito de Porto Alegre. Não terminou o mandato, em 3 de outubro de 1958 era eleito governador do Estado.
Curiosamente derrotando a UDN e o PSD, que se aliavam sempre contra ele, que disputava pelo PTB. UDN e PSD tinham a intuição ou a certeza de que o homem a derrotar, de qualquer maneira, era Leonel Brizola. E acabaram tendo razão.
Ele e Lacerda continuavam distantes, mais geográfica do que ideológica ou administrativamente. Brizola assumiu o governo em janeiro de 1959, Lacerda em dezembro de 60. Os dois foram excelentes governadores. Em 3 de outubro de 1962, ainda governador do Rio Grande do Sul, Brizola se elegeu deputado federal pela Guanabara, governada por Lacerda.
Deixou o governo em 31 de janeiro de 1963, no mesmo dia assumia na Câmara. A partir daí a História é visível, não precisa ser contada. O golpe de 64 (um contra, o outro a favor) acabaria por destruir os dois, impedindo que chegassem a presidente. Brizola tinha enorme capacidade de "fazer amigos e inimigos". Antes de 64, candidato a presidente com o slogan "cunhado não é parente, Brizola para presidente". Ainda em 1963, tentou um acordo com Jango, que o nomearia ministro da Fazenda e o marechal Lott, ministro da Guerra, com o direito de vigiá-lo no Ministério da Fazenda para "que não fizesse loucura".
João Goulart até que não ficou totalmente contra, pediu tempo. Mas conversou com Roberto Marinho, que acabava de publicar na primeira página de "O Globo" o editorial "João Goulart, um estadista". Com base nisso, estando na companhia do embaixador Lincoln Gordon, e sentado na cama do presidente, disse a ele: "Se você (intimidade total) nomear o Brizola ministro da Fazenda, não termina o mandato". Goulart recuou, não nomeou Brizola e não terminou o mandato. Era melhor ter nomeado, não sei o que aconteceria, mas o Brasil não seria o mesmo.
Quando Carlos Lacerda foi a Montevidéu, levar o "Manifesto da Frente Ampla" para o ex-presidente assinar, conversaram demoradamente. Em determinado momento, Carlos Lacerda disse a João Goulart: "Tenho que ir embora pois vou a Atlântida (onde Brizola estava confinado, por ter feito declarações sobre o golpe de 64 e os generais brasileiros pediram ao Uruguai que o mandassem para o interior, o que foi feito) ver se o governador Brizola quer assinar o Manifesto".
Na volta, Carlos Lacerda me contou, ainda surpreendido: "Quando falei isso, João Goulart empurrou o papel para mim e disse, se esse senhor assinar eu não assino". Perguntei o que ele fez. Resposta: "Disse, presidente, se o senhor não quiser não procuramos a assinatura dele". E assim foi feito.
PS - Aproveitando uma carta ótima, recordei e contei acontecimentos inteiramente desconhecidos, até hoje não revelados.
PS 2 - Eu ia a Montevidéu com Lacerda, não consegui autorização para viajar. Se despedindo, Lacerda me disse: "Puxa, não queria ir sozinho, não por causa do Jango, nós somos políticos, vamos nos entender. Mas se Dona Maria Teresa aparece e me pergunta o que estou fazendo na sua casa? Não sei o que responder". Felizmente (para o encontro) Dona Maria Teresa não apareceu.
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