BELO HORIZONTE - Murilo Badaró estava saindo da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas, em 1955, quando entrei (1954). Era de longe a melhor voz da Escola e de toda a Universidade. Arranjou um pseudônimo de barítono e fazia sucesso cantando óperas. Nos bailes do DCE (Diretório Central dos Estudantes) não sobrava para ninguém.
Afinadíssimo. Mas veio o golpe de 1964 e os militares acharam que ele desafinou. Deputado estadual pelo PSD, foi à tribuna no dia 10 de junho de 1964 protestar contra o ato mesquinho, covarde e traiçoeiro do general Castelo Branco, que negociou com Juscelino o apoio do PSD para o Congresso referendar sua nomeação para a Presidência da República e dias depois, em 8 de junho, cassou mandato e direitos políticos do senador JK.
Em 1966, Murilo elegeu-se deputado federal. Veio o AI-5 de dezembro de 68 e os militares acharam que era hora de acertar as contas com o afinado barítono e o desafinado juscelinista. O ditador de plantão Costa e Silva reuniu o Conselho de Segurança Nacional para cassar dezenas de senadores, deputados e até três ministros do Supremo Tribunal Federal, ainda não cassados pelos Atos Institucionais anteriores.
Pedro Aleixo
Murilo Badaró estava na lista. Mas o vice-presidente de Costa e Silva era (ainda) o mineiro Pedro Aleixo. Quando apareceu o nome de Murilo na lista para ser degolado por causa do discurso de quatro anos atrás, protestando contra a cassação de Juscelino, Pedro Aleixo o defendeu calorosamente, convenceu Costa e Silva e impediu sua cassação.
O senador gaúcho e ministro da Educação Tarso Dutra, participante da reunião, contou a Murilo, que foi visitar Pedro Aleixo:
- Professor, vim agradecer-lhe a generosa defesa que o senhor fez de mim na reunião do Conselho de Segurança e impediu minha cassação.
- Meu filho, o que é isso? Você não sabe de nada. A reunião foi secreta. Logo, não existiu. Como você agradece uma coisa que não houve?
Meses depois, o Conselho de Segurança Nacional, convocado pela Junta Militar (os "três patetas"), cassou a vice-presidência de Pedro Aleixo.
Pedro Aleixo aprendeu que na ditadura reunião secreta também existe.
Academia
A Academia Mineira de Letras acaba de fazer 100 anos. Seu atual presidente é o ex-barítono, ex-deputado, ex-ministro, ex-senador, ex-prefeito de Minas Novas e primoroso escritor Murilo Badaró.
Fundada em Juiz de Fora, a Academia fez lá uma sessão solene pelo centenário. Murilo foi de carro com o jornalista e poeta Petrônio Gonçalves. Como bons mineiros, chegaram antes, muito cedo. Juiz de Fora mal amanhecia. Para lerem os jornais, os dois sentaram-se na praça em frente à Câmara Municipal, onde logo mais começariam as comemorações.3
Padre
Dois mendigos acordavam na praça e começaram a discutir. Um deles foi até o banco onde Murilo estava com o Petrônio:
- Doutor, o senhor é advogado ou é juiz?
- Sou padre. Esse aqui é meu sacristão.
- Uai, então me dê uma bênção, seu padre.
Murilo o abençoou:
- Vai em paz. Que Deus te acompanhe.
O mendigo voltou para onde estava seu companheiro:
- Hoje estou com sorte; fui abençoado pelo padre Murilo Badaró.
Aécio
Aécio Neves é assim também. Quando a pesquisa é aqui dentro de Minas, ele é absoluto. No "Datafolha" sobre a aprovação dos governadores dos dez maiores estados dentro de seus estados, ele continua o primeiro, imbatível, com nota 7,6%.
O segundo é Eduardo Campos, de Pernambuco, com 7,0. O terceiro é Cid Gomes, do ceará, com 6,9.
Sergio Cabral, do Rio, entre os 10, é o penúltimo, com 6,0. Vai mal. E a Yeda Crusius, do Rio Grande do Sul, é a ultima, com 4,3. Vai péssima.
Mas, quando Aécio sai de Minas, atola. Parece carro de boi na lama, não anda. Nem virando padre adiantaria.
Ombudsman
No "O Globo", o Merval Pereira, que em geral tem feito colunas bem lúcidas, criticou Lula no encontro com o primeiro-ministro inglês Brown:
1 - "Lula deu uma das maiores gaffes de um chefe de Estado, com a declaração racista (sic) de que a crise internacional foi provocada por brancos de olhos azuis". (Aí Lula está certo, foi mesmo.)
2 - "Quando perguntado se o que dizia tinha sentido ideológico, Lula tentou minimizar dizendo que não conhecia nenhum banqueiro negro ou índio. Além de mostrar desinformação - o ex-presidente do Merrill Lyinch, Stanley O'Neal, era negro e foi dos banqueiros mais influentes em Wall Street, e o atual presidente do Citi Bank é o indiano Vikram Pandit -, o presidente Lula tenta mais uma vez jogar as perdas da crise internacional no colo dos estrangeiros, sem assumir nossas culpas, como se o País estivesse em perfeitas condições".
Tudo errado, Merval. A gaffe não é de Lula, é sua. Lá em Jaguaquara, se eu confundisse "indígena" (Aurélio: "relativo ou pertencente a índio") com "indiano" (Aurélio: "da ou pertencente ou relativo à Índia"), minha querida professora Dona Sisinia me daria o zero que nunca me deu
terça-feira, 31 de março de 2009
sábado, 31 de janeiro de 2009
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Morte de Jango: documentos reabrem polêmica (Tribuna da Imprensa - Elder Ogliari)
PORTO ALEGRE (AE) - O ex-presidente brasileiro João Goulart não estava mais na condição de asilado político do Uruguai quando morreu em sua fazenda de Mercedes, na Argentina, em 6 de dezembro de 1976. A descoberta aumenta a suspeita de assassinato e também de que a versão oficial, enfarte por causas naturais, pode ser incorreta, acreditam o conselheiro do Movimento de Justiça e Direitos Humanos do Rio Grande do Sul (MJDH/RS), Jair Krischke, e advogado Christopher Goulart, do Instituto Presidente João Goulart e neto de Jango.
Krischke e Goulart vão ao Ministério Público Federal entregar documentos inéditos, obtidos em Montevidéu, da Direção Nacional de Informação e Inteligência, ligada ao Ministério da Defesa, e do Ministério das Relações Exteriores do Uruguai. E esperam que as novas evidências levem o governo brasileiro a abrir os arquivos do governo federal e também a pedir os documentos desclassificados da CIA aos Estados Unidos. "Esse é um tema que interessa a todos os brasileiros e não somente à família", afirmou Goulart.
Os novos documentos indicam que João Goulart havia renunciado ao status e, consequentemente, à proteção do Estado uruguaio, no dia 9 de novembro daquele ano, quando pediu formalmente a troca pela condição de residente, alegando ter diversos negócios no país. Uma semana e meia depois, no dia 18, o Ministério das Relações Exteriores uruguaio aceitou a solicitação e encaminhou ao Ministério do Interior autorização para confecção da carteira de residente. O documento ainda não havia sido emitido quando o ex-presidente viajou para a Argentina e morreu.
Para o conselheiro do MJDH/RS, a descoberta da situação de "indocumentado" de João Goulart deve ser analisada junto com outras informações da época, em 1976, e podem abrir caminho para a mudança das versões oficiais. Krischke diz ter evidências de centenas de outros brasileiros que pediram a troca da condição de asilados pela de residentes no Uruguai e, por depoimento de pelo menos um deles, de quem preserva o nome, acredita que a iniciativa foi incentivada pela ditadura daquele país.
Sem a proteção do asilo, muitos ficaram vulneráveis e alguns chegaram a ser presos. João Goulart pode ter tentado se tornar residente para ter mais facilidade para entrar e sair do país, tanto para cuidar de seus negócios de exportador de carne quanto de suas atividades políticas. Mas isso, segundo Krischke, poderia interessar ao governo uruguaio daquela época, porque ficava eximido de suas responsabilidades, inclusive a de saber de eventuais saídas de João Goulart.
Entre os documentos há informações indicando que João Goulart era constantemente monitorado. Tanto que um deles refere-se a um possível encontro de João Goulart com o senador uruguaio exilado na Argentina Zelmar Michelini e com o general Juan José Torres, presidente deposto da Bolívia, em Buenos Aires, aparentemente para tratar da liberdade de sul-americanos residentes no Chile e presos no aeroporto de Ezeiza, na capital argentina.
Krischke destaca que em 1976, com a eleição de Jimmy Carter, os Estados Unidos estavam trocando sua política externa, de apoio às ditaduras pelo respeito aos direitos humanos. Coincidentemente, lembra, naquele ano foram assassinados políticos que estariam cotados para vencer eleições se seus países retomassem a democracia. "É o caso do chileno Orlando Lettelier (assassinado em Washington), do uruguaio Michelini e do boliviano Torres (assassinados em Buenos Aires)", cita.
Segundo Krischke, no Brasil também morreram em circunstâncias não totalmente esclarecidas Juscelino Kubitschek em 1976 e Carlos Lacerda em 1977.
É nesse contexto que o MJDH/RS e o Instituto João Goulart acreditam que a morte do ex-presidente brasileiro deve ser investigada, "mesmo que seja para esclarecer que não houve assassinato". Na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (RS), o ex-funcionário do serviço secreto uruguaio Mario Neira Barreiro, preso no Brasil por assaltos, afirma desde 2003 que o ataque cardíaco que matou João Goulart foi provocado por envenenamento. "Talvez nem tudo o que ele conta seja verdade, mas seus depoimentos e citações, confrontados com outras informações, mostram que ele sabe muitas coisas", afirma Krischke.
Krischke e Goulart vão ao Ministério Público Federal entregar documentos inéditos, obtidos em Montevidéu, da Direção Nacional de Informação e Inteligência, ligada ao Ministério da Defesa, e do Ministério das Relações Exteriores do Uruguai. E esperam que as novas evidências levem o governo brasileiro a abrir os arquivos do governo federal e também a pedir os documentos desclassificados da CIA aos Estados Unidos. "Esse é um tema que interessa a todos os brasileiros e não somente à família", afirmou Goulart.
Os novos documentos indicam que João Goulart havia renunciado ao status e, consequentemente, à proteção do Estado uruguaio, no dia 9 de novembro daquele ano, quando pediu formalmente a troca pela condição de residente, alegando ter diversos negócios no país. Uma semana e meia depois, no dia 18, o Ministério das Relações Exteriores uruguaio aceitou a solicitação e encaminhou ao Ministério do Interior autorização para confecção da carteira de residente. O documento ainda não havia sido emitido quando o ex-presidente viajou para a Argentina e morreu.
Para o conselheiro do MJDH/RS, a descoberta da situação de "indocumentado" de João Goulart deve ser analisada junto com outras informações da época, em 1976, e podem abrir caminho para a mudança das versões oficiais. Krischke diz ter evidências de centenas de outros brasileiros que pediram a troca da condição de asilados pela de residentes no Uruguai e, por depoimento de pelo menos um deles, de quem preserva o nome, acredita que a iniciativa foi incentivada pela ditadura daquele país.
Sem a proteção do asilo, muitos ficaram vulneráveis e alguns chegaram a ser presos. João Goulart pode ter tentado se tornar residente para ter mais facilidade para entrar e sair do país, tanto para cuidar de seus negócios de exportador de carne quanto de suas atividades políticas. Mas isso, segundo Krischke, poderia interessar ao governo uruguaio daquela época, porque ficava eximido de suas responsabilidades, inclusive a de saber de eventuais saídas de João Goulart.
Entre os documentos há informações indicando que João Goulart era constantemente monitorado. Tanto que um deles refere-se a um possível encontro de João Goulart com o senador uruguaio exilado na Argentina Zelmar Michelini e com o general Juan José Torres, presidente deposto da Bolívia, em Buenos Aires, aparentemente para tratar da liberdade de sul-americanos residentes no Chile e presos no aeroporto de Ezeiza, na capital argentina.
Krischke destaca que em 1976, com a eleição de Jimmy Carter, os Estados Unidos estavam trocando sua política externa, de apoio às ditaduras pelo respeito aos direitos humanos. Coincidentemente, lembra, naquele ano foram assassinados políticos que estariam cotados para vencer eleições se seus países retomassem a democracia. "É o caso do chileno Orlando Lettelier (assassinado em Washington), do uruguaio Michelini e do boliviano Torres (assassinados em Buenos Aires)", cita.
Segundo Krischke, no Brasil também morreram em circunstâncias não totalmente esclarecidas Juscelino Kubitschek em 1976 e Carlos Lacerda em 1977.
É nesse contexto que o MJDH/RS e o Instituto João Goulart acreditam que a morte do ex-presidente brasileiro deve ser investigada, "mesmo que seja para esclarecer que não houve assassinato". Na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (RS), o ex-funcionário do serviço secreto uruguaio Mario Neira Barreiro, preso no Brasil por assaltos, afirma desde 2003 que o ataque cardíaco que matou João Goulart foi provocado por envenenamento. "Talvez nem tudo o que ele conta seja verdade, mas seus depoimentos e citações, confrontados com outras informações, mostram que ele sabe muitas coisas", afirma Krischke.
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Manifesto de JK pode dar em desterro (Tribuna da Imprensa há 40 anos)
8 de agosto de 1968
Dentro da nova linha de endurecimento do governo, Juscelino Kubitschek poderá ser o próximo confinado, caso insista em divulgar o seu propalado manifesto, ou qualquer pronunciamento de crítica aos atuais detentores do Poder. Os passos do ex-presidente da República já estão sob rigoroso controle das autoridades do Ministério da Justiça, que não escondem o propósito de impor a JK o silêncio a que estão sujeitos todos os políticos cassados. Mas os amigos do sr.
Kubitschek continuam a insistir na necessidade de sua participação na luta pela redemocratização do País, através de declarações contrárias ao governo, ainda que isso lhe custe um longo período de confinamento.
MDB viaja a Corumbá
BRASÍLIA (Sucursal) - Em nota oficial, a Comissão Executiva Nacional do MDB manifestou o seu "inconformismo ante as providências de ordem punitiva que o governo tem tomado, como ainda ontem se verificou, na Guanabara", ao mesmo tempo em que decidiu enviar uma representação partidária à Corumbá, para visitar o ex-presidente Jânio Quadros.
A Comissão designada pelo MDB, terá a seguinte composição: senadores Lino de Matos, Josafá Marinho, Bezerra Neto e Mário Martins deputados Mário Covas, Martins Rodrigues, Mata Machado, Fernando Gama, Chagas Rodrigues, Feliciano Figueiredo e Evaldo Pinto.
Exército fica de novo de prontidão
A maioria das unidades do Exército, com base nas informações de que os estudantes persistirão hoje na movimentação de rua, entrou, desde as seis horas da manhã, em regime de prontidão, mas os soldados não participarão ostensivamente da repressão, permanecendo no mesmo estado de alerta, recolhidos aos quartéis, como vem sendo adotado desde terça-feira.
14 carros de combate, cada um com 28 homens, constituíram o contingente do I Exército que se manteve, ontem, de sobreaviso, nas dependências do Quartel General, prontos para entrar em ação se ocorressem incidentes entre os estudantes e as tropas da Polícia Militar, encarregadas da repressão. Só às 18 horas, o contingente recolheu-se ao qualtel de sua unidade, no Batalhão da Polícia do Exército.
Brasil quebra a escrita
A tática argentina de armar um sistema defensivo de sete homens, com dois líberos, e tentar o gol de contra-ataque, ontem, não surtiu o efeito desejado por eles, embora durante 40 minutos tivessem êxito, tanto na defesa como nas jogadas isoladas para tentar o gol. Mas quando isso aconteceu, surgiu o goleiro Félix para acabar com o desejo dos argentinos. Se não bastasse a vitória, para satisfação do público, este, de pé, explodiu, em alegria, quando após quatro minutos sem que os argentinos pusessem o pé na bola, Jairzinho marcou o quarto gol da seleção brasileira e o seu único da partida.
Dentro da nova linha de endurecimento do governo, Juscelino Kubitschek poderá ser o próximo confinado, caso insista em divulgar o seu propalado manifesto, ou qualquer pronunciamento de crítica aos atuais detentores do Poder. Os passos do ex-presidente da República já estão sob rigoroso controle das autoridades do Ministério da Justiça, que não escondem o propósito de impor a JK o silêncio a que estão sujeitos todos os políticos cassados. Mas os amigos do sr.
Kubitschek continuam a insistir na necessidade de sua participação na luta pela redemocratização do País, através de declarações contrárias ao governo, ainda que isso lhe custe um longo período de confinamento.
MDB viaja a Corumbá
BRASÍLIA (Sucursal) - Em nota oficial, a Comissão Executiva Nacional do MDB manifestou o seu "inconformismo ante as providências de ordem punitiva que o governo tem tomado, como ainda ontem se verificou, na Guanabara", ao mesmo tempo em que decidiu enviar uma representação partidária à Corumbá, para visitar o ex-presidente Jânio Quadros.
A Comissão designada pelo MDB, terá a seguinte composição: senadores Lino de Matos, Josafá Marinho, Bezerra Neto e Mário Martins deputados Mário Covas, Martins Rodrigues, Mata Machado, Fernando Gama, Chagas Rodrigues, Feliciano Figueiredo e Evaldo Pinto.
Exército fica de novo de prontidão
A maioria das unidades do Exército, com base nas informações de que os estudantes persistirão hoje na movimentação de rua, entrou, desde as seis horas da manhã, em regime de prontidão, mas os soldados não participarão ostensivamente da repressão, permanecendo no mesmo estado de alerta, recolhidos aos quartéis, como vem sendo adotado desde terça-feira.
14 carros de combate, cada um com 28 homens, constituíram o contingente do I Exército que se manteve, ontem, de sobreaviso, nas dependências do Quartel General, prontos para entrar em ação se ocorressem incidentes entre os estudantes e as tropas da Polícia Militar, encarregadas da repressão. Só às 18 horas, o contingente recolheu-se ao qualtel de sua unidade, no Batalhão da Polícia do Exército.
Brasil quebra a escrita
A tática argentina de armar um sistema defensivo de sete homens, com dois líberos, e tentar o gol de contra-ataque, ontem, não surtiu o efeito desejado por eles, embora durante 40 minutos tivessem êxito, tanto na defesa como nas jogadas isoladas para tentar o gol. Mas quando isso aconteceu, surgiu o goleiro Félix para acabar com o desejo dos argentinos. Se não bastasse a vitória, para satisfação do público, este, de pé, explodiu, em alegria, quando após quatro minutos sem que os argentinos pusessem o pé na bola, Jairzinho marcou o quarto gol da seleção brasileira e o seu único da partida.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
Visita de Lacerda aumenta repressão a Jânio (Tribuna da Imprensa há 40 anos) 5 de agosto de 1968)
Governo diz que prisão de líder foi erro
O "governador" Luís Viana, da Bahia, e seu colega Abreu Sodré, de São Paulo, acompanhados pelo senador Daniel Krieger, presidente da Arena, almoçaram ontem juntos, no Rio, e entenderam que a prisão do líder estudantil Wladimir Palmeira foi "um lamentável erro político do governo", porque vai dar motivo para manifestações dos estudantes que já não tinham condições para fazer, com êxito, novas concentrações.
Discutiram inclusive a idéia de se avistarem com o marechal Costa e Silva, no Palácio das Laranjeiras, hoje pela manhã, para tratar do problema com o chefe do governo, ocasião em que reiterariam ponto de vista já firmado de que as questões do ensino no Brasil só serão solucionadas quando houver as reformas dos sistemas atuais, que consideram completamente superados.
Visita de Lacerda aumenta repressão a Jânio
CORUMBÁ (De Mauro Ribeiro, enviado especial) - O aeroporto desta cidade passou todo o dia fortemente policiado ante a notícia de que o ex-governador Carlos Lacerca chegaria ontem para se avistar com o sr. Jânio Quadros. Corumbá foi dominada por uma série de boatos, desde a chegada iminente do sr. Carlos Lacerda, que já estaria em Campo Grande, até um encontro secreto entre os Srs. Jânio Quadros, Juscelino Kubischek e um emissário do Sr. João Goulart, numa fazenda situada perto da cidade.
O ex-presidente Jânio Quadros confirmou que vai mesmo divulgar, nos próximos 15 dias, um manifesto de críticas ao governo, sendo que até a quinta-feira liberará para os jornalistas partes do documento, onde ele narra todos os fatos que precederam o seu confinamento.
Jordânia convoca conselho da ONU
O governo jordaniano solicitou ontem a reunião urgente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, após o ataque da aviação israelense a seu território precisamente na região de El Salt, onde os israelenses acreditam ser a base da organização palestina "El Fatah".
Antes de iniciar o ataque aéreo contra a Jordânia os aviões israelenses lançaram panfletos na região de Salt, que expressavam as seguintes advertências: "Saibam que o que os espera em Israel é a morte ou o cárcere. Vossos chefes vos enganam. Só no mês de julho enterramos 44 terroristas e mais de 200 estão em nossas prisões.
Convite a Saldanha agita seleção
O convite do chefe da delegação carioca, Sr. Ciro Aranha, ao comentarista João Saldanha, para assessorar o técnico Zagalo à boca do túnel no jogo de quarta-feira com os argentinos, desagradou ao supervisor, técnico, médico e preparador físico da seleção.
Aranha tomou esta decisão sem fazer qualquer consulta, tanto que resolveu marcar uma reunião para hoje, às 17h30 horas, entre os membros da cúpula, mas Zagalo e Lídio Toledo já anunciaram que não poderão comparecer. O técnico levará sua mulher ao médico e Lídio alegou que todas as segundas-feiras viaja para o interior de São Paulo a fim de operar num hospital.
O "governador" Luís Viana, da Bahia, e seu colega Abreu Sodré, de São Paulo, acompanhados pelo senador Daniel Krieger, presidente da Arena, almoçaram ontem juntos, no Rio, e entenderam que a prisão do líder estudantil Wladimir Palmeira foi "um lamentável erro político do governo", porque vai dar motivo para manifestações dos estudantes que já não tinham condições para fazer, com êxito, novas concentrações.
Discutiram inclusive a idéia de se avistarem com o marechal Costa e Silva, no Palácio das Laranjeiras, hoje pela manhã, para tratar do problema com o chefe do governo, ocasião em que reiterariam ponto de vista já firmado de que as questões do ensino no Brasil só serão solucionadas quando houver as reformas dos sistemas atuais, que consideram completamente superados.
Visita de Lacerda aumenta repressão a Jânio
CORUMBÁ (De Mauro Ribeiro, enviado especial) - O aeroporto desta cidade passou todo o dia fortemente policiado ante a notícia de que o ex-governador Carlos Lacerca chegaria ontem para se avistar com o sr. Jânio Quadros. Corumbá foi dominada por uma série de boatos, desde a chegada iminente do sr. Carlos Lacerda, que já estaria em Campo Grande, até um encontro secreto entre os Srs. Jânio Quadros, Juscelino Kubischek e um emissário do Sr. João Goulart, numa fazenda situada perto da cidade.
O ex-presidente Jânio Quadros confirmou que vai mesmo divulgar, nos próximos 15 dias, um manifesto de críticas ao governo, sendo que até a quinta-feira liberará para os jornalistas partes do documento, onde ele narra todos os fatos que precederam o seu confinamento.
Jordânia convoca conselho da ONU
O governo jordaniano solicitou ontem a reunião urgente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, após o ataque da aviação israelense a seu território precisamente na região de El Salt, onde os israelenses acreditam ser a base da organização palestina "El Fatah".
Antes de iniciar o ataque aéreo contra a Jordânia os aviões israelenses lançaram panfletos na região de Salt, que expressavam as seguintes advertências: "Saibam que o que os espera em Israel é a morte ou o cárcere. Vossos chefes vos enganam. Só no mês de julho enterramos 44 terroristas e mais de 200 estão em nossas prisões.
Convite a Saldanha agita seleção
O convite do chefe da delegação carioca, Sr. Ciro Aranha, ao comentarista João Saldanha, para assessorar o técnico Zagalo à boca do túnel no jogo de quarta-feira com os argentinos, desagradou ao supervisor, técnico, médico e preparador físico da seleção.
Aranha tomou esta decisão sem fazer qualquer consulta, tanto que resolveu marcar uma reunião para hoje, às 17h30 horas, entre os membros da cúpula, mas Zagalo e Lídio Toledo já anunciaram que não poderão comparecer. O técnico levará sua mulher ao médico e Lídio alegou que todas as segundas-feiras viaja para o interior de São Paulo a fim de operar num hospital.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Lacerda diz que irá mesmo se reunir com Jânio (Tribuna da Imprensa há 40 anos)
SALVADOR (Do correspondente) - Ao passar por esta cidade, ontem, a caminho da Guanabara, onde deverá chegar hoje, o ex-governador Carlos Lacerda manteve encontro com amigos e repórteres aos quais confirmou que irá ao encontro do ex-presidente Jânio Quadros, em Corumbá. Mato Grosso. Adiantou ainda que no encontro que manterá com o Sr. Jânio Quadros pretende discutir a ampliação dos Pactos de Lisboa e Montevidéu, firmado com os ex-presidentes Juscelino Kubitschek e João Goulart.
Jânio pode ficar incomunicável para não ver CL
O governo federal pode determinar hoje, logo após a reunião ministerial, que o ex-presidente Jânio Quadros, confinado em Corumbá, permaneça em estado de incomunicabilidade como fórmula para impedir as suas entrevistas diárias à imprensa e o anunciado encontro com o ex-governador Carlos Lacerda, que as autoridades governamentais consideram iminente.
A reunião ministerial, que se inicia às 9h30, no Palácio das Laranjeiras, deverá se revestir de grande importância, embora a sua convocação tenha sido feita "exclusivamente" para exame das reivindicações prioritárias da Amazônia, para onde o foverno se deslocará a partir do dia 6.
Jânio pode ficar incomunicável para não ver CL
O governo federal pode determinar hoje, logo após a reunião ministerial, que o ex-presidente Jânio Quadros, confinado em Corumbá, permaneça em estado de incomunicabilidade como fórmula para impedir as suas entrevistas diárias à imprensa e o anunciado encontro com o ex-governador Carlos Lacerda, que as autoridades governamentais consideram iminente.
A reunião ministerial, que se inicia às 9h30, no Palácio das Laranjeiras, deverá se revestir de grande importância, embora a sua convocação tenha sido feita "exclusivamente" para exame das reivindicações prioritárias da Amazônia, para onde o foverno se deslocará a partir do dia 6.
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Carlos Lacerda a caminho de Jânio em seu degredo (Tribuna da Imprensa há 40 anos)
1 de agosto de 1968
O ex-governador Carlos Lacerda declarou, ontem, em Recife, que vai ao encontro do ex-presidente Jânio Quadros em seu confinamento em Curumbá, pois agora é fácil encontrá-lo em "local certo e sabido". A seguir, Lacerda admitiu que pode reintegrar-se ao esquema "revolucionário", desde que o marechal Costa e Silva se proponha a atendê-lo nas seguintes reivindicações: 1ª - Elaboração de uma nova Carta Magna; 2ª - Convocação de uma Assembléia Constituinte; 3ª - Eleições diretas para a Presidência da República. O ex-governador da Guanabara manteve também uma longa conferência com dom Hélder Câmara, no Palácio de Manguinhos, sem que nada fosse revelado desse encontro.
Corumbá: JQ diz que recebe CL com prazer
CURUMBÁ - Às primeira horas de hoje, o sr. Jânio Quadros afirmou que receberá com prazer a visita do sr. Carlos Lacerda, caso o ex-governador da Guanabara aqui apareça. Por outro lado, dona Eloá declarou que vai passar a fazer pronunciamentos políticos, retratando "o quadro de forças a que fui submetida".
Jânio quadros repeliu as exigências do general Mendonça Lima, no sentido de que não desse mais entrevistas à imprensa, limitando sua ação a uma área que seria traçadas pela II Brigada Mista. O ex-presidente está inteiramente cercado. Na porta do apartamento onde se encontra hospedado acha-se um agente federal de plantão. Na entrada do hotel, mais dois agentes e, nas imediações, um jipe com um sargento e dois soldados.
Justiça pode julgar JQ depois do confinamento
SÃO PAULO - (Sucursal) - O processo formado ontem na Sexta Vara da Justiça Federal, constituído da portaria do ministro da Justiça que confinou o sr. Jânio Quadros, somente será julgado daqui a quatro meses se o juiz encarregado do caso, sr. José Pereira Gomes, cumprir rigorosamente os trâmites normais.
O ministro Gama e Silva, cumprindo a exigência fixada no Ato institucional nº 2, enviou ontem à tarde à Justiça Federal de São Paulo a cópia de sua portaria, acompanhada de um ofício e da investigação sumária realizada pela seção paulista do Departamento de Polícia Federal. O processo foi então organizado e, em seguida, o juiz distribuidor Caio Plínio Barreto fez o sorteio, que indicou a Sexta Vara, cujo juiz homologará ou não a decisão do ministro da Justiça.
Arena pede a Costa que ouça
A liderança da Arena resolveu fazer novo apelo ao marechal Costa e Silva para que estude, sem prevenções, as reivindicações da Igreja, dos trabalhadores, estudantes, intelectuais, artistas e parlamentares que estão fazendo movimentos de rua, lembrando ao chefe do governo que nenhuma classe "quer derrubar o regime mas apenas colaborar na reforma das estruturas sociais que estão estagnando o País".
O senador Daniel Krieger, que se encontrava ontem em Porto Alegre, deverá ser, na qualidade de presidente do partido, o portador do documento contendo as ponderações dos parlamentares que apóiam o governo, o que ocorrerá durante um encontro do marechal Costa e Silva com todos os líderes e vice-líderes da Arena, que será oportunamente marcado.
O ex-governador Carlos Lacerda declarou, ontem, em Recife, que vai ao encontro do ex-presidente Jânio Quadros em seu confinamento em Curumbá, pois agora é fácil encontrá-lo em "local certo e sabido". A seguir, Lacerda admitiu que pode reintegrar-se ao esquema "revolucionário", desde que o marechal Costa e Silva se proponha a atendê-lo nas seguintes reivindicações: 1ª - Elaboração de uma nova Carta Magna; 2ª - Convocação de uma Assembléia Constituinte; 3ª - Eleições diretas para a Presidência da República. O ex-governador da Guanabara manteve também uma longa conferência com dom Hélder Câmara, no Palácio de Manguinhos, sem que nada fosse revelado desse encontro.
Corumbá: JQ diz que recebe CL com prazer
CURUMBÁ - Às primeira horas de hoje, o sr. Jânio Quadros afirmou que receberá com prazer a visita do sr. Carlos Lacerda, caso o ex-governador da Guanabara aqui apareça. Por outro lado, dona Eloá declarou que vai passar a fazer pronunciamentos políticos, retratando "o quadro de forças a que fui submetida".
Jânio quadros repeliu as exigências do general Mendonça Lima, no sentido de que não desse mais entrevistas à imprensa, limitando sua ação a uma área que seria traçadas pela II Brigada Mista. O ex-presidente está inteiramente cercado. Na porta do apartamento onde se encontra hospedado acha-se um agente federal de plantão. Na entrada do hotel, mais dois agentes e, nas imediações, um jipe com um sargento e dois soldados.
Justiça pode julgar JQ depois do confinamento
SÃO PAULO - (Sucursal) - O processo formado ontem na Sexta Vara da Justiça Federal, constituído da portaria do ministro da Justiça que confinou o sr. Jânio Quadros, somente será julgado daqui a quatro meses se o juiz encarregado do caso, sr. José Pereira Gomes, cumprir rigorosamente os trâmites normais.
O ministro Gama e Silva, cumprindo a exigência fixada no Ato institucional nº 2, enviou ontem à tarde à Justiça Federal de São Paulo a cópia de sua portaria, acompanhada de um ofício e da investigação sumária realizada pela seção paulista do Departamento de Polícia Federal. O processo foi então organizado e, em seguida, o juiz distribuidor Caio Plínio Barreto fez o sorteio, que indicou a Sexta Vara, cujo juiz homologará ou não a decisão do ministro da Justiça.
Arena pede a Costa que ouça
A liderança da Arena resolveu fazer novo apelo ao marechal Costa e Silva para que estude, sem prevenções, as reivindicações da Igreja, dos trabalhadores, estudantes, intelectuais, artistas e parlamentares que estão fazendo movimentos de rua, lembrando ao chefe do governo que nenhuma classe "quer derrubar o regime mas apenas colaborar na reforma das estruturas sociais que estão estagnando o País".
O senador Daniel Krieger, que se encontrava ontem em Porto Alegre, deverá ser, na qualidade de presidente do partido, o portador do documento contendo as ponderações dos parlamentares que apóiam o governo, o que ocorrerá durante um encontro do marechal Costa e Silva com todos os líderes e vice-líderes da Arena, que será oportunamente marcado.
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